20/01/2016
Cidades de Papel
Quentin acreditava que cada um tinha o seu pequeno milagre. O dele era Margo, a garota da casa ao lado, com quem cresceu e de quem foi muito amigo durante a infância. Mas, no decorrer da adolescência, ambos se afastaram e Margo se tornou intocável, inatingível, quase um mito, alimentando, assim, a imagem fantasiosa que o garoto tinha por ela, por quem sempre foi apaixonado. Q era o típico adolescente perfeitinho. Nunca tinha matado aula, só tirava notas altas, sonhava em cursar medicina depois que terminasse o colégio e, aos 30 anos, queria casar e ter filhos. Seus planos pareciam estar bem encaminhados, já que Quentin evitava correr riscos. Porém, certa noite, sua vida virou de pernas para o ar, quando Margo invadiu o seu quarto e pediu a ajuda para realizar uma missão. Tudo o que Q sempre quis é que Margo precisasse dele, que voltassem a ter aquela conexão que tinham quando eram crianças, por isso, mesmo que meio a contragosto, decidiu ajudá-la e, juntos, percorreram as ruas de Orlando, em plena madrugada, pregando peças e se divertindo como Q nunca tinha antes. Ele ainda não sabia, mas as coisas nunca mais seriam iguais depois daquela noite. Entretanto, como tudo que é bom acaba cedo, Quentin sofreu uma grande decepção quando percebeu que Margo havia sumido. Onde será que a menina tinha ido parar? E por que ela tinha desaparecido daquele jeito, logo depois deles terem se reaproximado tanto? Margo sempre foi uma aficionada por mistérios e, inconscientemente, acabou se tornando um, já que Quentin se convenceu de que a garota havia deixado pistas para ele, e que sua nova incumbência seria encontrá-la, e Q não sossegaria até conseguir. Assim, uma "caça ao tesouro" foi iniciada, e Quentin e seus amigos embarcaram numa grande e libertadora aventura que lhes renderia muito mais do que um pote de ouro no final do arco-íris. Querem saber o que vai acontecer? Então assistam! *** Fui assistir ao filme muito temerosa, com receio de não gostar, afinal, sabemos das decepções que podem rolar nas adaptações literárias, principalmente quando se trata de um livro que amamos tanto, no meu caso, Cidades de Papel é o meu favorito escrito por John Green. De início, conhecemos Quentin e a fixação que ele tem pela vizinha desde a infância. Gostei do artifício utilizado pelo longa de inseri-lo como narrador para nos ambientarmos na história, até o momento em que a aventura se inicia. No decorrer da trama, podemos acompanhar a jornada de Q e dos seus amigos em busca de Margo, quando, na verdade, estão à procura deles mesmos, redescobrindo significados a respeito da amizade, do amor e do que é realmente importante para sermos felizes. Apesar de, na minha opinião, terem exagerado um pouco no romance apresentado nas telonas, que não é o foco original da obra, os produtores fizeram um excelente trabalho ao darem um tom mais maduro ao filme, no momento em que conseguiram inserir as várias mensagens reflexivas feitas no livro pelo autor sem, claro, se esquecer das inúmeras cenas de humor que me fizeram cair na risada, como, por exemplo, a viagem de carro feita pelos amigos até o Estado de Nova York. Confesso que quando divulgaram a lista do elenco que iria atuar no longa, fiquei um pouco desgostosa, porque, na minha cabeça, nenhum dos atores se parecia com os personagens do livro. Entretanto, gostei da química existente entre Nat e Cara. A relação criada entre os dois não foi nada forçada e muito menos vulgarizada, como costumamos ver nos filmes adolescentes. Porém, achei que faltou exporem mais a fundo a personalidade complexa e a instabilidade emocional de Margo, que a tornam tão única. Ademais, não gostei da modificação que fizeram no final da história, deixando-a mais leve e "fofinha". Na minha opinião, o amor de Quentin e Margo deveria ter permanecido platônico, já que a garota nada mais é do que um catalisador para todas as mudanças que se sucedem na vida de Q. Afora isso, tive uma surpresa muito positiva com os intérpretes de Radar e de Ben, melhores amigos de Quentin, que simplesmente arrasaram nos episódios de comédia e deram um reforço muito importante à atuação de Nat Wolff. Para aqueles leitores que, assim como eu, se preocuparam com a fidedignidade da adaptação, se tranquilizem. Os roteiristas foram incríveis ao inserirem diversas passagens do enredo de maneira literal a ponto de termos transcrições de falas e de pensamentos. Todavia, é óbvio que nenhuma adaptação é 100% fiel à sua obra de origem. Nesse caso, alguns trechos do livro faltaram, enquanto outros tantos que não existiam foram colocados, mas nada que prejudicasse a trama. Quanto a isso, vou falar mais detalhadamente no post de amanhã.








